Um filho não substitui o outro

Boa tarde!
Sou mãe de duas lindas princesas, de 9 e 6 anos. Filhas perfeitas e saudáveis. Duas gestações sem quaisquer problemas de saúde. Partos normais, amamentadas até os dois anos de idade.
Desde setembro do ano passado, estou tentando ter meu terceiro filho. Muitos pensam que pelo fato de já ter minhas meninas, não devia sofrer a perda de outros bebezinhos, o que é humanamente impossível, uma vez que um filho jamais pode substituir o outro.
O primeiro aborto retido terminou com curetagem no dia 09/11/2015. Estava grávida de 5 semanas quando ele parou de se desenvolver. Nunca teve batimentos cardíacos. Esperei durante um mês meu corpo eliminar, mas nada. Só com a internação cirúrgica é que dei adeus ao meu tão amado filho. Não descobri seu sexo, pois era cedo demais para isso e já havia sofrido tanto que me recusei a mandá-lo ao mapeamento genético.
Três meses depois, na falsa esperança de que teria êxito em nova gestação, recebi meu exame beta HCG positivo. Quanta alegria este resultado me trouxe! Meus sonhos novamente pareciam fazer sentido.
No entanto, com 13 semanas, depois de realizar o exame morfológico e ter excelentes resultados, senti cólicas muito estranhas e resolvi ir ao Pronto Socorro. Naquele 27/04/2016, mais uma vez, a notícia que nenhuma mãe quer ouvir de um médico: não havia sinais de batimentos cardíacos no feto.
Entrei em choque. Desespero e muita dor. Chorava no saguão do hospital. Me senti tão desamparada quanto no dia em que enterrei minha mãe.
Meu filho não nasceria. Teria que ser forte e me internar para a realização de nova curetagem. Depois de cerca de 24 horas induzindo a abertura do colo do útero, meu bebezinho deixou sua primeira residência e se foi. Já não tinha vida. Era tão pequeno, mas tão perfeito! Um mini bebê, menino, meu amado e tão esperado filho!! Eu o segurei em minhas mãos e lhe disse que o abençoava. Que ele tivesse paz e que mandasse um abraço para a sua avó. Falei para ele que um dia todos nós estaremos juntos novamente. Assim foi o nosso primeiro e último encontro. Em seguida, fui para o centro cirúrgico e foi realizada mais uma curetagem.
Hoje, quase um mês depois de perder meu segundo filho, posso dizer que ainda dói muito saber que não o terei em meus braços como foi com suas irmãs mais velhas. Respeito a vontade de Deus. Sigo minha vida com um vazio enorme, que ninguém é capaz de preencher. Vivo um dia de cada vez. Abraço minhas filhas agradecendo a Deus por tê-las junto de mim, o que me faz um bem enorme. Penso que tudo o que passei tem uma razão maior, que ainda não sou capaz de compreender, mas um dia estará claro como o dia.
Depoimento enviado pela mãe Patrícia
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