Gabriela, minha pintinha

Olá, sei que muita gente deve ter curiosidade de saber o que aconteceu para Gabriela ter desencarnado tão rápido.
Então, hoje venho aqui dividir nossa história com vocês.
Levei 9 anos para ter coragem de engravidar.

Tentei 1 ano e nada

Fizemos vários exames

Estava tudo certo conosco
Era: ansiedade!
Então relaxei
E no dia 26/12/10,engravidamos
No dia 30/08/2011 eu conheci o MAIOR AMOR QUE HÁ NESSA VIDA: O AMOR MATERNO!
Gabriela nasceu quando quis nascer, rsrsr, pois ela estava marcada para o dia 08/09/11, mas minha bolsa estourou na madrugada do dia 30/08/11.
Ela veio ao mundo pesando 3180 kg e medindo 48 cm de pura saúde, beleza e gostosura.
O Apgar dela (nota que os bebês recebem nos primeiros 5 minutos de vida), foram 9 e 10.
Ou seja, tudo na normalidade do esperado.
Quando ela veio para o meu quarto e foi colocada no meu seio para mamar pela primeira vez, ela era afobadinha demais e acabou bronco aspirando o leite.
Pois ela ainda não sabia sugar, respirar e engolir.
E foi preciso ir para UTI Neonatal, para aprender (com um bico artificial e depois uma chupetinha) a fazer isso.
E rapidinho ela pegou a manha da situação, rsrs aprendeu logo, mas ela acabou adquirindo icterícia (amarelidão causado pela carência de vitamina D, ou seja, do sol), que também é muito comum de acontecer aos recém-nascidos.
E com isso, lá se foram mais 7 dias de internação.
Nesse tempo, ela usou por uns dias (não lembro quantos), o acepape (dois caninhos finos que entram pelo nariz para ajudar a respiração. Não sei por quê?)
E esse acepape causou lesão no nariz dela, que era bem fininho (a pele).
E finalmente no dia 07/09/11, Gabriela teve alta.
Nossa!
Que felicidade!
Parecia que eu havia dado a luz pela segunda vez.
E nos 9 dias que ela passou em casa, vivemos tudo o que pais de primeira viagem,passam!
Graças à Deus por isso,pela oportunidade a nos confiados.
E nesse tempo, a lesão, que segundo a enfermeira da Perinatal, fecharia, não fechou.
E ja em casa, recebemos algumas visitas, fomos na Clínica da Primeira Idade (por conta das cólicas dela), fomos ao posto de saúde dar a vacina dela e ao shopping 2 x (minha Ginecologista e a Pediatra dela eram no shopping),então não sei em qual local a bactéria Estafilococos achou a Gabriela.
Com 17 dias ela voltou a internar.
Dessa vez no Pronto Baby
E lá ela lutou bravamente pela vida.
Um dia ela vencia, noutro a bactéria ultrapassava e assim foram os dias.
Até que no dia 29/09/11, ela estava bem debilitada, cansadinha, o batimento cardíaco em 65,quando deveria ser acima de 80,eu fiquei vendo aquele monte de aparelho, a agitação dos médicos, aqueles fios, o barulho, enfim, a luta dela.
Foi então, que movida pelo maior amor que há nessa vida, o materno,eu pedi para ficar sozinha com minha filha.
E tivemos uma conversa bem séria.
Onde pedi o auxílio de Deus e de Maria.
E foi então que eu contei a nossa história de amor e de vida  à ela, contei quem era quem na família dela,falei dos sonhos que eu havia planejado  e falei do quanto eu era grata à ela pela oportunidade que me foi dada e confiada.
E disse que ela havia mudado para sempre a minha vida, pois antes eu era somente filha, irmã, tia, esposa, madrinha, mas agora ela havia me tornado: MÃE.
E isso nunca mais seria diferente.
E pedi perdão e desculpa a ela por qualquer coisa que eu ou o pai dela havíamos feito o causado.
E que ela sempre levasse junto dela o nosso amor, afeto e carinho.
E disse que ela estava livre daquele sofrimento!
Que ela descansasse em paz.
Que ela fosse dormir
Então mudei minhas orações e pedidos!
Clamei à Maria e pedi que libertasse a minha filha daquela dor e passasse a mim todo o sofrimento.
Pois Maria assistiu a todo sofrimento do filho e sobreviveu, então Ela me ajudaria nisso.
Beijei todo o corpinho da minha filha.
Olhei como se escaneasse cada pedacinho dela.
Guardei seu semblante sereno.
Segurei na mão dela e disse: “Filha, vai com Deus! Um dia nos reencontraremos! Amo-te mais que tudo nessa vida. Amei ser sua mãezinha!”
E assim eu fui embora, deixando minha vida e meu coração ali.
Pedi ao meu marido que subisse e se despedisse dela, como ele sempre fazia.
Mas nesse dia,ele não teve coragem nem para levantar da cadeira.
Só fazia chorar e me pedia: Traz ela pra gente!
E eu entorpecida, dizia: “Amanhã! Amanhã viremos buscá-la!”.
E fomos para casa.
Coração de mãe não se engana.
Nessa madrugada, eu acordei sobressaltada às 03:00 da manhã e comecei a ligar para o Pronto Baby.
Ninguém atendia!!
Na Perinatal, eu saia às 22:30,quando dava 00:00 eu ligava para saber se ela mamou (o meu leitinho que eu deixava)e era atendida.
Depois ligava às 03:00 para saber como ela estava e se havia mamado (o meu leitinho) e era atendida.
Depois ligava às 06:00 para saber como ela estava e se havia mamado tudo (o meu leitinho) e sempre fui atendida e muito bem atendida.
No Pronto Baby eu NUNCA consegui falar.
Péssimo em tudo.
E eu liguei das 03:00 às 06:00 e nada.
Depois disso o sono me venceu.
E quando foi 08:21 meu celular tocou.
Era do Pronto Baby.
Eu falei alô e meu marido tirou o telefone da minha mão e foi para sala.
Nesse momento,eu me ajoelhei no salão e pedi,clamei,implorei à Deus e a Maria para não leva-la!!
Que me perdoassem pelo o que eu havia feito e pedido no dia anterior.
Que me levassem naquele segundo e deixassem-na.
Que não tirassem ela de mim.
E meu esposo entrou no quarto, se ajoelhou ao meu lado e disse: “Amor, a médica disse que ela não vai resistir”.
E eu ,de camisola mesmo,levantei e fui saindo,abrindo a porta de casa,pegando a chave do carro e senão é minha funcionária e meu esposo,eu teria saído de casa dessa maneira,para ir ao encontro dela.
Meu esposo e minha funcionária me vestiram e lá fomos nós.
Moramos no Recreio e o Pronto Baby fica na Tijuca.
Imaginem o transito de 6ª feira de manhã?
Nem sei como meu esposo deu conta de dirigir, pois eu estava enlouquecida dentro do carro, aos prantos,gritando,clamando ao Senhor que não fizesse aquilo.
E assim que chegamos, nos dirigimos ao CAF (Centro de Apoio ao Familiar),uma sala cheia de prateleiras com livros e brinquedos.
Nada ficou no lugar, eu derrubei tudo.
A porta que era de vidro parecia de papel na minha mão, pois meu cunhado e padrinho da Gabriela havia colocado a foto dela nas mãos de Nossa Senhora das Graças, que ficava em frente ao Centro Cirúrgico, ao lado do CAF e eu queria ir à Santa e quebrar ela.
Perdi totalmente a fé naquele momento (na verdade, por uns tempos, confesso).
Foi então, que antes que eu derrubasse a Santa, a Dra Luzia chegou e me abraçou.
Gabriela fez o que eu pedi, esperou a Dra Luzia chegar para ir descansar.
Tão obediente zi mãe, rsrsr
E daí começou a maior das dores.
Ter que carregar nos braços o seu bebê sem vida.
Pois isso faz parte do processo de luto.
Era preciso.
E não sei como, mas eu e meu marido conseguimos fazer tudo isso.
Parecia que ela apenas dormia.
Tão molinha, tão quentinha.
Não sei falar quanto tempo ficamos com certeza nunca será o suficiente.
Mas ali naquele momento, beijamos muito ela, carregamos ela no colo, eu olhei todo o corpinho dela, agradeci de novo a oportunidade e entreguei minha filha.
Deixei meu coração aos cuidados de 3 anjos: Minha mãe,meu cunhado e padrinho da Gabriela e minha grande amiga e eterna, professora Liane de Luna.
Minha mãe foi comprar uma roupa bem linda para ela chegar ao céu, Liane arrumou minha princesa, da maneira mais especial e linda e meu cunhado preparou a caminha que ela iria deitar e descansar.
E às 17:30 do dia 30/09/2011 eu enterrei meu coração.
E conheci a pior dor que há nesse mundo: a dor de ter que devolver seu filho.
Eu renasci na dor, pelo amor.
E sigo aqui, confiante na vitória de Deus.
Maria me ajuda sempre, todos os dias.
Fui e sou sempre muito bem amparada pelo marido, pelos meus familiares e minhas amigas.
Não desmerecendo as outras dores, mas não há nada que se compare a essa.
E mesmo que você diga “eu sei a sua dor”, se não tiver passado por essa dor, você não sabe o que é.
Seu coração sangra.
Você chora lágrimas de sangue.
Dói o seu corpo todo.
Mas é preciso acreditar que dias melhores virão.
Que a felicidade existe.
Que essa dor se acomodará, com o tempo.
E que a morte não é o fim.
Aos que pensaram que eu não suportaria aqui eu estou.
A cada dia Deus e Maria me colocam de pé, confiante na vitória.
E um dia, no tempo Dele, o milagre acontecerá.
Eu creio no Deus do impossível.
E Maria não me desampara.
Obs.: no início me entristecia quando via (até próximo de mim), pessoas que abortaram, mas depois engravidavam de novo e a criança nascia perfeita.
Mães que não queriam engravidar, mas também não fizeram anda para evitar e levaram a gravidez de forma leviana (bebendo, se drogando, se prostituindo, não fazendo o pré-natal) e a criança nascia perfeita, sem sequela nenhuma.
Ou então, aquelas mães que ao nascerem os filhos, não queriam e jogavam eles na lata do lixo, no mato, no bueiro, no rio poluído, jogavam no vaso sanitário e essas crianças sobreviviam, sem sequer pegaram nenhuma infecção.
Ou seja, Deus escreveu uma história a cada um.
A dessas crianças era sobreviver a isso tudo.
Então por isso eu digo, DEUS sabe o que faz.
E agradeço a Ele por confiar em mim para gerar, cuidar e amar o anjo mais perfeito e lindo dele, por esse tempo.
Eu vivi tudo, de forma intensa.
Tem mães que nem tem essa oportunidade (de pegar no colo, sentir o cheiro, amamentar, levar para casa).
Obrigada GABRIELA, meu maior amor.
Para Sempre Sua Mãe, Danielle Mendonça
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10 comentários em “Gabriela, minha pintinha

  1. Dani, estou aqui me esvaindo em lágrimas e sentindo a sua dor. Mas o que sei como mãe tb de um anjo é que somos especiais por sermos capazes de gerar e amar incondicionalmente. Tb sei que eles nos acompanham. Sim! Pq sei que o meu Bernardo está comigo em todo e qq lugar, em todas as situações de minha vida. Sua Gabi tb. Princesa linda!!! A gente sofre diariamente mas cada dia com mais compreensão. Eh oq peço a Deus e nossa senhora. Eh uma batalha diária. E peço isso pra mim e pra quem passa ou passou pelo oq passamos. Que Deus te abençoe flor e que todos os dias ele te traga conforto. Um dia todas nós nos encontraremos com nossos anjos.

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  2. Como entender os propósitos de Deus?
    minha primeira filha é a Ana Gabriela…enviada de Deus mesmo… ela que me da forças hoje depois da perda de meus 2 meninos…
    Que vc continue firme e na certeza de que Deus esta sempre com vc.

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  3. Nossa! A verdade é que estou neste exato minuto colocando meus dois filhos para dormir e chorei horrores lendo seu depoimento! Tenho uma cunhada que passou por algo semelhante e eu senti um pouquinho da dor do meu irmão, a impotência de não poder fazer absolutamente nada para a dor passar… Ao mesmo tempo olho para meus filhos, um de 9 anos e uma menina de 1 ano e 8 meses e o coraçao aperta muito… Eu não sei de onde tiraria forças para passar por uma perda destas. Com certeza é a maior perda para uma mãe. Te desejo toda a força do mundo para continuar esta caminhada que nem sempre entendemos.
    E desejo de coração que vc possa tem mais filhos e que a Gabi te ajude. Tomar conta deles la de cima. Ser mãe fou a melhor coisa que me aconteceu!
    Um beijo carinhoso . e fique com Deus!

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  4. Olá Danielle,

    Li cada palavra escrita por ti, chorei muito, mesmo não ter passado pelo que passou da pra sentir um pedacinho da dor que sentiu!
    Ninguém nunca estará pronto para este tipo de separação!
    Que nossa querida Mãe possa confortar seu ❤️
    Grande beijo
    Força

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  5. Eu sinto muito pela sua perda e te entendo melhor do que qualquer pessoa . Eu também perdi minha bebezinha , nossa pequena Beatriz , aos 8 meses de gestação . Lendo seu depoimento , me identifiquei o tempo todo .
    Ah como dói . Dói a alma . O coração sangra.
    Espero , de todo meu coração, que um dia pôssamos nos libertar de tamanho sofrimento e seguir adiante , carregando pra sempre em nossos corações o amor maior desse mundo ! Com muito carinho !

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  6. Emocionante História… de Gabriela
    e saiba que realmente existe mães que não puderam nem abraçar, nem beijar, nem estar perto de seus anjos no momento de sua partida… e eu sou uma delas, a minha anjinha nasceu e não conseguia respirar e teve que partir após 50 minutos de seu nascimento… tentei imagina-la em uma encubadora mais não consegui, então como eu estava sendo socorrida pois perdi muito sangue, entreguei ela aos cuidados de Deus e de nossa Mãezinha do Céu Maria, e eles gostaram tanto da minha Maria Cecília, (minha pequenina, a 3º filha que Deus me confiou) que preferiram ficar com ela no jardim mais lindo e formoso do Céu…
    Um dia conto toda a experiencia de Amor que tive ainda estou tentando elaborar tanta dor e amor juntos…
    que Deus e Maria possa confortar todos os corações de mãezinhas como nós, que precisam achar uma forma de viver em meio a um abismo de Imenso Amor e dilacerante Dor… e ainda assim viver… ainda mais as que ainda tem filho aqui na terra que precisam da gente inteira… com todo amor que temos…
    Paz e bem a todos …
    Serei eternamente mãe de 3 lindos filhos…
    uma Menina de 6 anos um menino de 3 anos aqui na terra, e um anjo, Maria Cecília, lá no Céu de 5 meses e 16 dias…

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  7. Gabriela veio para a mãe certa,hj sei da sua dor meu menino filho único partiu aos 20 anos sem me dá um tchau e espero ansiosa pêlo reencontro embora tenha apenas 61 dias…hj vc é nossa luz nessa nossa dura estrada da vida…amamos vc.

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  8. Nossas histórias são parecidas. O meu anjo Beatriz nasceu no dia 06/08/2016 e faleceu 7 dias depois. O nível de leucócitos estavam altíssimos, mais os médicos não entendiam como ela estava bem clinicamente. Sem dores, e com evolução do seu quadro respiratório, como ela nasceu de 33 semanas, seus pulmões ainda não estavam 100%. Mais ela saiu do respirador (acepape) estava respirando sozinha. Consegui amamentá- la, dar carinho, embalar nos braços. Mais ai veio o diagnóstico: meningite, junto com leucócitos de 67 mil. E minha pequena Beatriz que lutou durante 7 dias não resistiu e virou um anjinho. A dor é latente e sangra. Mais confio em Deus e sei que foi feita Sua vontade. E que Ele vai nos confortar.

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