Não existe palavra para definir a dor da perda de um filho

Eu descobri que estava grávida em uma manhã de domingo, no mês de fevereiro de 2015, no momento que o segundo risco apareceu na tira do exame, eu fui a pessoa mais feliz do mundo, nada mais importava, eu não pensei no meu estado civil ou em quais mudanças trariam para minha vida, eu finalmente seria mãe, o meu maior sonha ia se realizar. Fiz todos os exames, mas a felicidade vinha acompanhada por certo receio, ás vezes não saber das coisas é melhor, eu sabia os riscos que a mulher tem de perder o primeiro filho, trabalhei em um Clínica de fertilização humana, convivi diariamente com histórias de perdas e de dificuldades de engravidar. Fiz a primeira ultrassom, meu bebê tinha seis semanas, a médica disse que estava tudo normal, mas quando ela aumentou os sons para que ouvíssemos os batimentos cardíacos, eu sabia que não estava, acompanhei muitas ultrassons, eu sabia que estava fraco, mas ela insistiu dizendo que estava tudo normal. Os dias foram passando e algo no meu corpo havia mudado  os enjoos não chegavam e eu não tinha mais algumas características que me fizeram suspeitar da gravidez, no dia 01 de março de 2015 eu tive um pequeno sangramento, que só percebi porque saiu no papel higiênico, fiquei desesperada, fui para o Pronto-atendimento com o coração amedrontado, a médica que me atendeu foi tão grossa e nenhum pouco acolhedora, me senti completamente desamparada, não conversou nem cinco minutos comigo e fez o toque, disse que meu colo estava fechado e então estava tudo bem, eu pedi a ela que fizesse um pedido de ultrassom, fui direto para o exame, quem me atendeu foi outro médico, quando ele projetou o exame na televisão eu não podia acreditar, o bebê não estava mais ali, só o saco gestacional, já diminuído em relação a idade gestacional que eu estava, ele não sabia o que falar, ficou em silêncio olhando pra tela, até que eu perguntei, ele só disse que sentia muito, mas que bom que eu era nova e poderia ter outros filhos, essas expressões me acompanharam por muito tempo “você é nova, pode ter mais filhos” “ainda bem que foi no começo, o sofrimento é menor” “melhor assim do que nascer um bebe malformado” e tantas outras que desconsideravam a dor que eu estava sentindo, nada disso me importava esse era o meu bebê, era ele que eu queria, a dor foi imensamente grande, e ainda é. Com o tempo as pessoas param de querer escutar a mesma história, ou acham que você já deveria ter superado, ou que é frescura, afinal ficou tão pouco tempo comigo. Apesar de toda dor que ainda sinto, foi uma experiência indescritível, só posso agradecer a esse anjinho que me permitiu conhecer o amor incondicional, que me fez muito feliz no tempo em que estivemos juntos. As pessoas não sabem o que dizem, o que importa é que eu sei que eu sou a mãe dele e que ele lá de cima sabe que é meu filho muito amado. Não tive outros filhos ainda, desejo que venham em breve, mas eles saberão que tiveram um irmãozinho, mesmo que tenha ficado só na barriga e no coração.

Depoimento enviado pela mãe Mariana Barbosa

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3 comentários em “Não existe palavra para definir a dor da perda de um filho

  1. Nossa, já li inúmeros depoimentos aqui… mas nenhum me identifiquei tanto assim! Esrive grávida por 10 semanas… as mais felizes da minha vida. Fazem 3 meses que isso aconteceu, o que eu sinto agora é uma imensa saudade do meu filho! Que não será substituída por nenhuma outra gravidez… ele sempre será meu primogênito! O pior realmente são as pessoas que não entendem… e com certeza acham que estamos doidas! Que já deveria ter superado. Mas a dor é única, e eu também tenho certeza que quando morrer e chegar ao céu, Deus vai me apresentar meu bebê!

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  2. Sinto muito por sua perda! Tive dois abortos retidos na setima semana e de faot, ouvir essas frases que vc mencionou e outras só piora a situação, pq o amor incondicional é concebido junto com aquele serzinho e nada muda isso… eu ja tenho uma filha de 9 anos e mesmo assim a dor existe, não adianta.

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  3. Nossa temos uma história parecida, sofri muito, quando o médico disse TINHA ALGUM BEBE AQUI ANTES?, era uma gravidez de 10 semanas.
    Sofriii por muitos meses, mas Deus não desempara, logo veio a minha segunda gestação, sempre acompanhada pelo medo de perder, cheguei até as 36 semanas, tive um parto de urgencia, o Eduardo ficou 28 dias na UTI Neo, e vencemos!

    Deus não desampara jamais!!!!

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