Giovana, uma lição de amor

Foi em dezembro de 2014 que descobri que estava grávida. Lembro-me que nem sequer consegui dormir sem acreditar que eu finalmente realizaria o sonho de ser mãe, e pensava muito sobre a enorme responsabilidade que eu teria.

Lembro-me bem da primeira ultrassom, quando ouvi as batidas do seu coraçãozinho e pude pela primeira vez sentir a vida que estava ali, dentro de mim, e tudo começava a se tornar mais real. Após algumas semanas, foi possível descobrir que era uma menina, que tão logo decidimos chamar de Giovana, que significa “Deus é gracioso”.

O engraçado foi que eu nunca me via como mãe de menina, mas logo que soube da notícia, meu mundo literalmente virou cor de rosa, cheio de sapatinhos, faixas, lacinhos, ursinhos, tudo comprado com muito amor e carinho.

Por muitos anos eu dei aula para crianças dentro da igreja, e percebi que eu finalmente realizaria o sonho de cantar as músicas e histórias sobre Jesus para minha filha. Comprei livrinhos e até uma bíblia para ela. Vivi momentos muito felizes, talvez um dos mais felizes da minha história.

Tudo estava caminhando bem, até que na 23ª semana foi descoberto uma alteração na minha placenta. A Giovana estava perfeita, porém minha placenta não estava oferecendo os nutrientes necessários a ela, e com isso, apesar dela estar bem, estava muito pequena para a idade gestacional. Deus foi muito misericordioso conosco, pois colocou uma médica muito atenciosa e que se preocupou muito em salvar a vida da minha bonequinha. A considero como um “anjinho” colocado por Deus nas nossas vidas e na hora certa.

Depois daquela notícia, meu mundo simplesmente desabou. Acho que nem conseguia pensar em mais nada, e foi ali que senti pela primeira vez o extinto de proteção de toda mãe. A única coisa que queria naquele momento era protegê-la. Sentia uma sensação terrível por não poder fazer nada e por sentir que era meu próprio corpo que estava prejudicando o desenvolvimento da minha filha.

Fiquei de repouso, acompanhando o crescimento da Giovana, e esperando o momento mais apropriado para o parto, pois devido a insuficiência placentária, ela estava com restrição de crescimento e poderia entrar em sofrimento a qualquer momento.

Conseguimos levar a gestação até a 27ª semana, e foi uma correria para conseguir um hospital que tivesse vaga em uti neonatal.

Foi no dia 06 de maio de 2015 que Giovana veio ao mundo. Lembro-me de cada detalhe desse dia, principalmente do momento em que ela foi retirada. Foi quando eu a vi, tão pequena e debilitada, se mexendo muito como se tentasse respirar que eu percebi o quanto eu a amava. Enquanto ela era levada pela médica, olhava para o pai dela e dizia que ela não estava bem, e ele tentava me acalmar.

Minutos depois, o médico que realizou a cesárea retornou, e somente com o olhar me deu a notícia. Minha guerreira não havia resistido. Foi como um pedaço de mim tivesse sido arrancado, e eu só conseguia chorar em meio a um enorme silêncio no centro cirúrgico. Parecia que estava vivendo um pesadelo. A pediatra levou a minha bonequinha embrulhada, e eu pude ficar alguns minutinhos com ela. Ela era linda, era cabeluda como eu, e o rosto parecido com o pai.

Daqui uns dias completará um ano que ela faleceu. Hoje, ainda sinto uma dor imensa quando me lembro dela. Foi uma desconstrução difícil de ser vivida, porém consigo enxergar

beleza e sinto um enorme privilégio em ter sido presenteada com a vida dela. A vida da Giovana foi muito breve, mas veio com um lindo propósito. Como foi bom gerá-la, sentir os seus movimentos, conversar com ela e cantar canções para nós duas nos acalmarmos em meio aquele turbilhão de emoções.

Ela veio para me ensinar muitas coisas, principalmente sobre quão vulneráveis somos. A vida é um sopro, e é cheia de surpresas. E como vivi surpresas após a morte dela. Ela não sabe, mas me tornou uma mulher mais humana e mais forte. Eu percebi o quanto eu era muitas vezes egoísta e que em alguns momentos não tinha tanta sensibilidade ao sofrimento do próximo.

Agradeço a Deus por ter me ajudado até aqui e por ter me dado a oportunidade de ter vivido essa história com minha bonequinha, e estou certa de que um dia nos conheceremos na eternidade! Tenho certeza de que ela está nos melhores braços!

Depoimento enviado pela mãe Renata Oliveira

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Um comentário em “Giovana, uma lição de amor

  1. SINTO MUITO MESMO,SEI EXATAMENTE O QUE SIGNIFICA ESSA DOR PELO QUAL SINTO ATUALMENTE..MAS SOMENTE DEUS E QUE PODE NOS CONSOLAR ENOS FAZER LEMBRAR COM CARINHO DE QUE MESMO QUE A SOCIEDADE NAO NOS RECONHEÇA COMO MAES,NOS SABEMOS QUE SOMOS..MESMO QUE DE ANJOS…BEIJOS COM MUITO AMOR A VC….

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