Francisco, amor eterno

Cresci com o sonho de ser mãe. Vi os meus irmãos procriarem os seus filhos, e apesar de muitas vezes ser uma mulher fria amei-os e amo os meus sobrinhos como se fossem meus. As crianças são o melhor do mundo sem dúvida, e o meu sonho. Engravidei no fim de Outubro, mas apenas descobri em Dezembro, perto do Natal. Repeti o teste duas vezes para ter a certeza que aquele positivo era verdadeiro. Fui às urgências para me fazerem uma ecografia para ter mesmo a certeza que era verdade, e era. Já estava de oito semanas, e era a mulher mais feliz do mundo. Tive uma gravidez um pouco controversa, na altura estava a viver em França, mas queria que o meu filho nascesse em Portugal. Filho, Francisco, descobri com cinco meses o sexo e fiquei super super feliz. Em Portugal não foi fácil, o meu marido continuava a trabalhar em França e não quase nada da minha gravidez. Tudo correu bem, os exames sempre estiveram ótimos, as ecografias mostravam que ele estava a crescer e a evoluir muito bem, nada poderia dizer que o desfecho não era o esperado. No dia 13 de Julho de 2014, estava eu com 37 semanas, as 5 da manhã, comecei com contracções, logo se tornaram muito fortes e três horas depois chamei uma ambulância e fui para o hospital. Não fui recebida da melhor maneira, mas as dores também já eram algumas que tentei não ligar à forma fria como enfermeiras falaram comigo. Fizeram a habitual ecografia para saberem o ponto de situação, e o vazio e a falta de batimentos cardiacos  provenientes daquele ecrã de computador eram nenhuns.  “O bebé está morto!” Diziam elas, com todo aquela falta de sensibilidade, falta de coração, falta de humanidade, e mesmo que assim tenha de ser, não deveria ser, estamos carregadas de sentimento que nos roubam quando nos dão estas noticias. Vazio, escuro, e solidão, é tudo o que podemos sentir nestes momentos. Descobri mais de um ano depois que o Francisco estava de perfeita saúde, mas a placenta sofreu um enfarte, e nada haveria a fazer.  Já passaram vinte e um meses, a cada dia tenho mais e mais saudades.

Minha eterna estrelinha, Francisco.

Depoimento enviado pela mãe Carla Salgado (Portugal)

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