Perda gestacional, o que nasce dessa dor?

Meu nome é Regiane,tenho 31 anos,sou casada e mãe de dois filho. Gustavo, 5 anos aqui na terra e outro no céu. Há pouco mais de 6 anos sofremos uma perda gestacional, e como sofremos.

Em janeiro de 2010 descobri que estava grávida, ficamos surpresos, assustados, felizes, e outras tantas sensações possíveis de serem experimentadas com essa noticia. Pena que durou tão pouco. Com apenas nove semanas aquela vida chegou ao fim, mas só descobrimos na ultra de 12 semanas, não tive sintomas que denunciassem sua partida, somente incômodos comuns de início de gestação. Tive que passar pela curetagem, foi muito difícil de aceitar. O meu médico sempre foi sensacional, tudo que estava ao seu alcance ele fez para amenizar nossas dores físicas e emocionais, mas vejo que a equipe como um todo não está preparada pra nos receber. Pode não parecer, sei que pra eles é mais um procedimento, mas é muito doloroso, não me senti respeitada nos mais simples direitos, fiquei uma noite no hospital pra passar pela curetagem na manhã seguinte no mesmo quarto que uma gestante com risco de aborto, nós duas não precisávamos passar por isso.

A chegada do nosso primeiro filho, ou filha (nunca saberemos), nos fez perceber o quanto não temos controle sobre nada. Vivemos esse momento intensamente, tão intensamente que hoje, vejo como de alguma forma ficamos presos no que não foi, sem sermos capazes de enxergar que por mais difícil que tenha sido a vida seguiu, mas nós muitas vezes vivemos como se não estivéssemos vivos, como se a nossa vida também tivesse acabado. Depois de 3 meses após curetagem estava grávida novamente. Quanta felicidade e medo, não curti como poderia, não tenho fotos, morria de medo de algo dar errado e tudo ficar só na lembrança e meus sonhos serem interrompidos novamente. Que atitude egoísta. Quando nosso segundo filho finalmente nasceu, deixamos um pouco de lado a dor da perda, da morte, pra cuidar da vida nova que ele trouxe pra nós.

Hoje posso dizer a chegada e partida do nosso primeiro filho fez nascer em nós sentimentos que desconhecíamos, desde o mais prazeroso até o mais tenebroso. Mas agradeço por ter me tornado mãe, mesmo sem poder te lo em meus braços, viveu em meu ventre por breves semanas, e em meu coração pra sempre.

Por muitas vezes desejei poder falar sobre esse momento que vivi um dos mais tristes e sofridos da minha vida, e nasceu a vontade de fazer algo por tantas mulheres e famílias que passam por uma perda gestacional, ou neonatal. Conheci a pagina Do Luto á Luta, me identifico, indico, convido amigos pra curtir, enfim me ajuda muito. Nosso filho existiu, por um breve tempo, mas ele fez de nós pais, e nunca vai deixar de existir no nosso imaginário, nos nossos corações e orações.

Conhecer os trabalhos e a página Do Luto à Luta, foi muito intenso. Pude ver através dos depoimentos aqui colocados que não estou sozinha. Pude elaborar meu luto, e dar forma a essa dor, que ainda habita meu coração, mas hoje ressignificada. Agradeço por cada palavra desnecessária que fui obrigada a ouvir, me fez desejar fazer diferente. Integrar a equipe Do Luto à Luta tornará isso possível. Nem sempre temos palavras certas a dizer, mas saber ouvir e acolher é essencial.

Obrigada por me receberem, juntos somos mais fortes. Um forte abraço

Psicóloga Regiane Cunha Vilela da Rocha

CRP 06/113613

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5 comentários em “Perda gestacional, o que nasce dessa dor?

  1. Tb tive 2 perdas gestacional… a primeira em 1999 e a segunda em 2000. Na primeira fique grávida depois de muito tratamento e qdo levei o resultado do teste de gravidez p/minha médica ela não me deu esperanças e em 15 dias após a descoberta eu perdi o bebê… e quando a médica chegou ela me disse: não falei que não ia durar…. tb me colocou num quarto c/2 moças que tinham dado a luz e todos me perguntavam… aonde está seu bebê???
    Na 2a gravidez perdi com 14 semanas mas tive a melhor ginecologista que podia ter… ela me deu total apoio. Eu sofri muito pq foi na semana do Natal e eu faço aniversário no dia 24. Fiquei deprimida mas graças a Deus fiquei bem.

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    1. Boa noite Jane, sinto muito por suas perdas. Passar por uma perda é sempre um processo, doloroso. Obrigada por dividir conosco um pouco da sua historia. Forte abraço

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  2. Parabéns Regi pela iniciativa! E parabéns também pela esposa, mulher e mãezona que você é! Você é o Rodrigo são pessoas muito especiais e temos vocês, a família que são, como exemplo. Essa perda que tiveram foi cruel, contudo, vocês estão conseguindo transformar isso em algo bom. Por exemplo, compartilhar essa experiência com outras famílias que viveram o mesmo que vocês. Abração!

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  3. Tive duas paerdas, assim como a sua… assintomáticas, descobertas nas ultras, onde foi percebido que os embriões tinham parado de se desenvolver e não havia mais batimentos cardíacos…passei por duas curetagens. foi em 2013 e 2014. Tenho uma filha de 9 anos, linda, que me faz querer viver, mesmo depois das perdas…

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