Arthur, nosso anjinho, a estrela que mais brilha no céu

“Meu nome é Isabela Ferreira.

Arthur veio de surpresa, mas sempre foi muito desejado e amado. Eu e meu marido aguardávamos há muito tempo ter um filho.

Tive uma gravidez saudável e sem nenhuma intercorrência. Arthur nasceu bem. Mas pouco tempo depois foi para UTI. Me senti impotente, deitada numa cama sem poder me mexer e sem saber direito o que estava acontecendo.

No dia seguinte, ele já estava em coma induzido. Dois dias depois de seu nascimento ele partiu. Eu e meu marido pudemos nos despedir dele ainda com vida, embora inconsciente. Ali começava a dor que eu jamais pensei que pudesse existir.

Não sei dizer qual o momento mais difícil: me despedir dele, ver seu corpo sem vida, deixar a maternidade com os braços vazios ou enterrar meu filho. Mas sabia que tinha que fazer tudo isso. Estar perto dele em todos os momentos.

A equipe do hospital foi muito delicada ao dar a notícia, ao permitir que nós, pais, e nossos familiares nos despedíssemos dele. De se colocar a disposição para qualquer esclarecimento.

Depois vieram outros momentos dolorosos. A volta pra casa, depois de alguns dias. Ver seu quarto todo arrumado e vazio. O leite que desceu, sem um bebê que pudesse alimentar. Pessoas próximas que se afastaram de nós por não saber lidar com o que aconteceu, e nós precisando de todos os colos que pudéssemos ter. A opinião e julgamento das pessoas sobre o que aconteceu (sim, muitos dedos apontados – não para nós diretamente – e palavras proferidas, como se já não bastasse ter que lidar com tanta dor).

As datas comemorativas – Natal, Ano Novo, dia das mães…Mas a mais difícil foi, sem dúvida, o aniversário de 1 ano de seu nascimento. Outros anos ainda virão, tão doloridos quanto o primeiro.

E por muitos meses, eu não conseguia ficar perto de nenhum bebê.

7 meses depois, engravidei novamente. Foi difícil, lidar com o medo, a insegurança. Mas resolvi colocar a esperança e o amor acima do medo. Meu bebê tem 5 meses, saudável, feliz e nos trouxe de volta à vida.

Hoje, eu posso dizer que, depois de Deus que nos manteve de pé, as pessoas ao nosso lado e ouvir relatos de mães que também passaram por isso, foram as coisas que mais me ajudaram.

Por isso hoje, me coloco a disposição para conversar com outras mães. Esse círculo de solidariedade é muito importante no processo de luto.”

 

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4 comentários em “Arthur, nosso anjinho, a estrela que mais brilha no céu

  1. Um lindo texto e também um alerta: por defesa, ignorância ou insensibilidade, muitas vezes as vítimas de uma dor como essa são tratadas como culpadas. Eu nunca vou esquecer meu coração queimando enquanto eu apertava aquele corpinho. Uma estrela cadente, fugaz, que ficará para sempre brilhando em nossas almas.

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  2. Um lindo texto e um alerta: muitas vezes por defesa, ignorância ou insensibilidade as vítimas de uma dor como essa são tratadas como culpadas. Arthur, estrela cadente e fugaz que brilhou por um instante nesse mundo, mais brilhará para sempre em nossas almas.

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