Miguel: uma história de luta e muito amor

Em 11/07/15 descobri que estava grávida, apesar de não ter sido programado, eu e meu esposo, Thiago,  ficamos extremamente felizes, em êxtase. Dia 16/07 fizemos nossa primeira ultra-sonografia e lá estava nosso bebezinho, 8 semanas e 4 dias,  coração a todo vapor, tudo direitinho. Fomos tomados pela emoção daquele momento lindo e a felicidade reinou. Contamos apenas a algubs familiares e amigos, porque queria aguardar até o terceiro mês.
Dia 12/08 fomos fazer a morfológica do primeiro trimestre e a TN deu alterada, nosso mundo neste momento desmoronou, pois o médico disse que poderia indicar uma síndrome, que poderíamos fazer o exame do cariótipo fetal para analisar, mas que existia risco de aborto de 1%. Buscamos segunda opinião com especialista fetal e ele tbm nos indicou exame, neste exame ficamos sabendo que seria um menino, que posteriormente demos o nome de Miguel. Dia 13/08 fizemos exame e aguardamos 20 dias úteis pelo resultado. Dias de muita angústia, porém de muita prece e fé! No dia do resultado Thiago foi buscar sozinho, mas abrimos juntos. O resultado foi normal, não havia nenhuma alteração cromossômica, nos abraçamos e choramos muito.
Lá vamos nós, gravidez a todo vapor,  tudo caminhando bem,  enxoval quase todo pronto, estávamos curtindo cada momento da gravidez… Dia 16/10 fomos fazer nossa morfológica do segundo trimestre e vimos novamente o chão se abrir, a médica colocou no laudo que nosso Miguel teria uma hérnia diafragmática congênita, que deveria buscar especialista para confirmar. Naquele momento senti um aperto terrível no peito, nem sabia o que era. Saímos do consultório e fui logo olhar o que era e descobrimos ser algo muito grave,  com alto índice de óbito pós parto. Desespero total! Meu aniversário era dia 18/10 e qualquer motivo de comemoração foi por água a baixo. Marquei especialista para o dia 19/10 e nossas suspeitas se confirmaram. Lembro que choramos muito,  cheguei em casa deitei e só chorei. Porém no dia seguinte pensei: não vou deixar que essa hérnia nos vença, vou correr atrás de informações e ajuda,  achei no face um grupo de maes com o mesmo problema, pequenos guerreiros grandes milagres e fiquei sabendo que existia uma cirurgia que poderia fazer ainda intra útero, oclusão traqueal, porém somente em São Paulo e somos de Salvador. Lá vamos nós para consulta em SP, e o médico recomendou cirurgia para aumentar as chances de vida de 0% para 70%. Voltamos para Salvador desolados pela necessidade da cirurgia, porém decidimos fazer tudo que pudéssemos pelo nosso amado Miguel. Dia 16/11 voltamos para SP para primeira etapa,  tudo correu bem,  ficamos uma semana para revisão e o pulmão reagiu muito bem ao balão. Voltamos para Salvador confiantes na vitória. Dia 06/01 fiz a segunda etapa da cirurgia e mais uma vez tudo conforme o planejado. Agora era só aguardar o parto e evitar parto prematuro, pois devido as intervenções cirúrgicas havia grande risco.
Meu obstetra acompanhou todas as etapas e nos deu muito apoio. Corremos atrás do melhor hospital para Miguel nascer, acionamos equipe de cirurgia pediátrica e neonatal. Tudo para que no dia do nascimento estivesse tudo organizado.
Dia 18/01 tive uma perda de liquido e precisei ficar de repouso absoluto. Cesárea marcada para 10/02 as 16:00, porém Miguel nos surpreendeu e comecei a ter contrações mria noite. Esperei aumentar e informei ao médico, lá vamos nós as 4:00 para o hospital e nosso tesouro veio ao mundo as 06:11, precisou ser cesárea por conta da hérnia.
Vencemos mais uma etapa, o parto, visto que existia chances altas de óbito.
Ouvir aquele choro foi lindo demais, momento único e de uma felicidade indescritível. Nunca esquecerei.
Não pudemos tirar aquela típica foto do casal com o bebê, pois ele precisava com urgência de UTI para não cansar o pulmão.
Conheci meu filho de perto apenas 10 horas depois, a criatura mais linda que já vi, um presente de Deus. Ver ele cheio de aparelhos foi muito difícil, mas buscava pensar que era para o bem dele. Tivemos que aguardar 8 dias para cirurgia, pois ele precisava estar estável e foram dias de altos e baixos. Estávamos mais unidos a cada dia, Thiago conseguiu antecipar férias no trabalho e ficávamos na UTI todos os momentos permitidos, mesmo com ele entubado e sedado. Muitos amigos e familiares em corrente de oração por ele,  e desconhecidos também.
A cirurgia foi de extremo risco,  para suturar o diafragma, que inclusive no momento da cirurgia foi constatado que ele não tinha nada de diafragma, sendo colocada uma prótese. Os médicos nos disseram que após a cirurgia teriam as primeiras 48 horas de declínio,  devido ao choque cirúrgico e para nossa surpresa,  nosso pequeno guerreiro surpreendeu e se manteve estável. No entanto surgiram algumas complicações, hipertensão pulmonar e pneumonia, levando uma coisa a outra. Dias difíceis e de muita luta e angústia. Mesmo diante de tudo tinha plena certeza da vitória, mas infelizmente não eram esses os planos de Deus e após 20 dias de luta nosso filho foi morar com papai do céu, 01/03/16. Muito sofrimento, muita dor e uma saudade inexplicável, surreal.
Jamais passou pela minha cabeça vivenciarmos essa dor, tinha muita confiança na vitória. Todos os dias pergunto porquê conosco, o que fizemos de errado, são vários questionamentos sem respostas.
Apesar de tudo agradeço a Deus pela honra de ter sido escolhida para ser a mãe de Miguel, por ter como papai Thiago e por termos trocado tanto amor durante a gravidez e nesses 20 dias de vida. Muito amor,  um amor eterno e incondicional.
Miguel deixou um legado de fé e amor e será pra sempre nosso filho.
Abraços de um coração apertado e despedaçado,  Tais
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3 comentários em “Miguel: uma história de luta e muito amor

  1. Querida! Perdemos nosso Enrico no dia 29/01 com a mesma hernia diafragmatica, porém tinha síndrome de Edwards. Sabemos perfeitamente o que estão sentindo. Saibam que após toda turbulência existe a calmaria. Somos fortes e a vida nos trará muitas alegrias ainda.

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  2. Queridos Taís e Thiago, em primeiro lugar, sinto muitíssimo pela perda do Miguel e pela dor que vocês enfrentaram e enfrentam. Tenho certeza que Miguel levou com ele o amor de vocês, de cada minuto que vocês passaram do lado dele e dos meses que ele passou dentro de você. Do outro lado do oceano, vivemos uma história bem parecida… Apenas umas semanas depois. Noël foi diagnosticado no segundo trimestre com o mesmo problema, e além dele uma tetralogia de fallot no coração que impediu ele de ser elegível para o tratamento intrauterino com o balão. Ele viveu somente alguns minutos e qualquer operação já estava fora de questão. A tristeza e a saudade são incomensuráveis, como vocês sabem. Obrigada por compartilharem a história de vocês, me faz sentir menos sozinha. Um abraço com muito carinho.

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  3. Tais, muito triste sua história. Sei que está sentindo pois, passei o que você passou. Perdi meu bb com 32 semanas em 08/15 e, não me recuperei até hoje. Viva seu luto, chore mas, acredite na vontade de Deus. Sou de Salvador tb. Se quiser conversar posso entrar em contato com vc.

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