Isabella, meu anjo no céu

Meu nome é Jessica, sigo vocês no Instagram e gostaria de contar o relato da minha perda.
Em janeiro de 2015 descobri meu positivo, foi uma gravidez muito planejada e desejada por mim e por meu marido. Ficamos tremendamente felizes, até que na primeira ultrassom descobrimos um hematoma subcoriônico, ficamos muito preocupados, fiz repouso direitinho, a cada 15 dias repetia o ultrassom para ver se já estava absorvido e nunca estava, até que com 12 semanas recebemos a feliz noticia que graças a Deus o hematoma havia sumido e ainda por cima teríamos uma linda princesa que se chamaria Isabella, o sonho do meu marido!

Depois disso foi uma gravidez super tranquila, não sentia enjoos fortes, não sentia nada, tudo 100% nos meus exames, compramos as roupinhas, montamos o quartinho, enfim, tudo preparado para a chegada da minha princesa.

Até que com 32 semanas e 6 dias no dia 13 de agosto de 2015, no caminho para o meu trabalho comecei a ter cólicas, achei que era normal, o dia foi passando e as dores foi aumentando, pensei: “Meu Deus, será que são contrações?”. Liguei para o meu médico e ele pediu pra eu ir para o hospital para ele dar uma olhada em mim. Liguei para o meu marido e fomos para a maternidade, chegamos lá e fizeram o exame de toque, estava com 2 centímetros de dilatação e minha filha estava encaixadinha, fiz exame de urina e ultrassom para ver se tinha algo de errado e estava tudo OK, era só minha princesa apressadinha para nascer. O médico me informou que estava em trabalho de parto e que precisa inibir as contrações porque se continuasse assim o meu bebe iria nascer.

Tomei a injeção para amadurecer os pulmões do bebe, e começamos a medicação para inibir as contrações, fizeram o exame para acompanhar os batimentos do bebe (tudo OK), e passei a noite na maternidade.

Às 11:00 da manhã do dia 14 de agosto de 2015 recebi alta, não sentia mais contrações, fui embora com a recomendação de repouso absoluto até minha bebe nascer. Durante todo o restante do dia fiquei deitada, sem sentir nada, vi meu tampão sair, mas como já tinha lido que isso pode acontecer e ainda demorar para o bebe nascer eu fiquei tranquila, minha filha mexia o tempo todo, pois ela sempre foi muito ativa, até que por volta das 21:30 senti uma cólica. Falei para o meu marido:” Amor, parece que as contrações estão querendo voltar!” e ele respondeu: “Você está cansada amor, vamos dormir para ver se para.”
Deitamos para dormir e as cólicas pararam, dei uma cochiladinha, mas por volta de 00:20 do dia 15/08/2015 acordei com as contrações novamente, coloquei a mão na minha barriga e minha filha não mexia mais, cutucava, cutucava e nada dela me responder (ela sempre respondia). Acordei meu marido e falei: “Amor as contrações voltaram e não to sentindo a Isabella mexer!”.
Meu marido acordou minha sogra que mora logo ao fundo para ir com ele, porque ele disse que ficar a noite anterior sozinho do lado de fora esperando noticias era muito ruim, que precisava de companhia para dar um apoio para ele. Chegamos na maternidade e fui logo atendida pelo plantonista pois meu médico não atendia o celular, ao tentar ouvir os batimentos a medica não conseguia, ela fez cara de preocupada e falou: ” Jessica, vamos fazer um ultrassom que fiquei preocupada!” Chegamos na sala de ultrassom e ela colocou o aparelho, e me falou: ” Jessica você sentiu saindo liquido de você?”  Respondi: ” Não doutora, fiz ultrassom dia 13/08 e tava tudo certo!” Ela respondeu: ” Não tem uma gota de liquido aqui!” Já fiquei apreensiva, os minutos passavam a cada segundo ela ficava com a cara pior, até que perguntei algo que já sabia a reposta: “Não tem batimentos né doutora?” ela olhou pra mim e disse: ” Não Jessica, não tem batimentos!”. Nessa hora coloquei as mãos na cabeça e olhei para o meu marido, ele desabou na sala de ultrassom, eu sentia uma vontade enorme de chorar mas quando vi o estado que meu marido ficou eu engoli o choro e me fiz de forte, por ele!
A médica quando viu o desespero dele falou: ” Olha não sou especialista em ultrassom, pode ser que eu tenha errado, pode ser que não estou sabendo procurar, aguarda a manhã seguinte (porque não tinha medico especializado para fazer ultrassom de plantão) que você faz com o especialista e pode ser que eu esteja errada!” e meu marido chorando o tempo todo e eu sem derramar uma lágrima tentando consolá-lo, a primeira coisa que falei para ele:” Amor, não murmura, não questiona a vontade de Deus, Deus escolheu levar ela de nós, vamos aceitar a vontade Dele!”. Saí do consultório carregando meu marido, a médica estava super preocupada com a situação que ele ficou, e fomos dar a noticia para minha sogra que estava na recepção esperando, foi o mesmo desespero, e fiquei lá, consolando os dois, sem derramar uma gota de lágrima se quer porque sentia uma força tremenda e não conseguia chorar, foi inexplicável o que Deus fez para mim naquele dia, acredito que tudo foi fruto de uma oração que fiz para Deus em silencio assim que saímos da sala da médica: ” Senhor, eu aceito a Tua vontade na minha vida, não questiono sua vontade, só te peço força para passar por tudo isso!”.
E então amanheceu o dia, passei o restante da noite no hospital com contrações pois eu queria ganhá-la de parto normal, me preparei para isso, não tinha nenhum medo da dor, pois nada seria pior do que eu já estava sentindo! Às 11:00 da manhã meu médico chegou para fazer meu parto, já estava com 4 cm de dilatação, ele colocou ocitocina e dilatei muito rápido. Quando chegou a hora da minha filha nascer o médico me perguntou: “Você quer que seu marido entre? Porque na minha opinião vocês já estão passando por uma situação tão ruim, tem certeza que você quer que ele te veja com dor?”, parei para pensar e falei “Não doutor, só mostra ela para ele porque ele quer muito vê-la!”o médico perguntou: “Você quer vê-la?” sem sombra de dúvidas respondi: “Quero muito doutor!”..
Às 12:20 do dia 15/08/2015 minha princesa nasceu, pesando 2,044 KG e medindo 44cm, linda, perfeita, gordinha, e muito parecida comigo. Nem nesse momento eu consegui chorar, só fiquei olhando a realização do meu sonho ali, do meu ladinho, tão linda e sem vida. Infelizmente não consegui ganhar alta a tempo de ir ao enterro dela, e minha mãe também não quis deixar eu ir, ela me disse que eu não precisava ver isso.
Minha recuperação foi assombrosa, não sentia absolutamente nada, nenhum tipo de dor, minha mãe que foi cuidar do meu resguardo olhava pra mim e falava: “Jessica, estou impressionada com a sua força, nem parece que você acabou de ganhar bebê!” e foi assim, todos os meus amigos e familiares que me visitavam e inclusive meu marido ficavam espantados com o quanto eu estava conformada.
Mas depois de 15 dias, quando chegou o momento de guardar todas as roupinhas que estavam todas lavadas e passadas, eu desabei, chorei, chorei tudo o que eu tinha pra chorar, sozinha pois não queria que ninguém participasse desse momento, esse era o meu momento, o momento de eu colocar pra fora a dor que eu sentia em silencio!
Tudo o que posso dizer foi que Deus estava todo tempo ao meu lado, ele me deu uma força sobrenatural, sentia sua presença a todo o momento, e até hoje não consigo questionar o que aconteceu, porque na verdade o que aconteceu nem os médicos conseguiram explicar, a causa da morte até hoje é desconhecida.
E hoje, depois de quase 7 meses que perdi minha princesa, estou aqui, grávida novamente de 11 semanas, passei pelo mesmo problema do hematoma subcoriônico que tive na primeira gravidez, mas graças a Deus já foi absorvido. Se eu estou com medo de acontecer tudo novamente? Não! Não tenho medo, pois a lição que aprendi nisso tudo é que não temos controle de absolutamente nada em nossas vidas, e tudo o que acontece tem algum propósito. A missão da minha princesa foi cumprida! Agora é esperar e descansar no Senhor, e pedir para que sempre se cumpra a vontade Dele em minha vida, pois tenho confiança plena no Deus que eu sirvo, e Ele tem me dado esse conforto, essa paz, essa tranquilidade de que tudo dará certo!
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4 comentários em “Isabella, meu anjo no céu

  1. Também perdi minha princesa Isabella com 38 semanas por iinsuficiência placentária. Não havia líquido amniótico e também tive que ouvir que já não haviam batimentos.
    Eu lembro bem de igual a ti, colocar as mãos na cabeça e não chorar naquele momento mas no meu caso, era choque. Minha mãe e minha avó entraram em desespero, meu marido também, meu pai não derramou uma lágrima na minha frente e eu lembro de dizer “pai, eu não vou aguentar e ele disse vai sim!” Eu pensei que não queria mais aguentar.
    Meu parto foi uma cesariana de emergência, pois não sabíamos a quanto tempo meu anjo havia falecido.
    Hoje, após quatro meses eu penso que sou especial. Que Deus escolhe a gente pra ser mãe de anjo. Confesso que ainda sofro e talvez sofra por toda minha vida mas vou seguir… vou tentar até realizar o sonho de sair do hospital com minha filha nos braços, linda e saudável ao invés de um atestado de óbito. Parabéns pela força querida, que Deus abençoe teu bebê e tua família!

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  2. Olá Jessica. Sou mamãe de anjo também. Minha Lívia Vitória nasceu sem vida dia 14/08/2016. Nunca questionei Deus só peço forças a ele pois vivo como se estivesse me afogando num mar de sofrimento. Gostaria de saber como esta sua gravidez se esta correndo tudo certo pois pretendo engravidar novamente não para substituir minha filha tão amada mas sim pq acredito que a chegada de um novo bebê pode trazer toda a alegria que hoje não sinto mais. Beijos e que Deus abençoe sua nova gestação.

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