História de Cassilia

Sou Cassilia, e perdi 2 anjinhos prematuros há um ano e 5 meses. A Maria e o Miguel vieram depois de 3 anos de tentativas. Em 2013 iniciamos um tratamento e em 2014 recebemos com toda a alegria do mundo a notícia da gravidez gemelar!! Minha gravidez foi tranquila e saudável até a 27 semana, quando a bolsa do Miguel estourou. Fiquei internado por alguns dias, mas devido à perda do líquido o parto foi necessário.
Sinto hj que sabia muito pouco sobre os riscos de uma gravidez gemelar. Tenho a sensação de que estava envolvida pelo Espírito Santo, que me protegeu de pensamentos negativos.
As crianças nasceram “bem”… Acima de 1.100 kg, e com notas satisfatórias no Apgar. Um bom sinal para prematuros extremos.
Aí começaram nossos problemas!! Uma equipe de médicas neo natais completamente despreparadas e desumanizadas, tentando nos explicar com termos técnicos que as crianças tinham pouquíssimas chances de viver. Não entendia nem aceitava esse diagnóstico!!
Somos do interior de São Paulo, e o hospital possuía uma neo natal ligada ao SUS. Despreparo total!!
Quem nos auxiliou muito no período foi meu médico ginecologista que acabou buscando informações e traduzindo os boletins médicos.
Recebi, por telefone, a notícia do falecimento da Maria, com apenas 2 dias de vida. Seguido de instruções para liberação do corpo para o enterro! Até aquele momento nunca havia passado na minha mente que velaria e enterraria um filho!
Muita tristeza que teve que ser engolida já que ainda tínhamos o Miguel internado. Minha família pediu a médica de plantão que trocasse ele de quarto, já que aquele nos lembraria a estufa vazia da irmã. Não foi possível. Lembrávamos dela a todo momento que entrávamos no quarto.
A partir daí, já nos era permitido entrar a qq momento na Uti. Eu e meu marido, tentávamos passar o máximo de tempo ali. Mas o ambiente de uma Uti Neo exige preparação! Muitos sons, alertas, correria… E pouco, ou quase nenhum amparo.
Quando o Miguel começou a piorar, recebemos o diagnóstico de que ele não sobreviveria pelo meu GO, com todo o carinho do mundo. Isso fez toda a diferença.
Ele me entregou o Miguel ainda vivo para que eu pudesse carregá-lo. Foi a minha única chance, e agradeço todos os dias por essa atitude!
Enquanto isso, uma das médicas tentava mostrar ao meU marido que outros bbs sobreviviam a UTI, numa tentativa despreparada de consola-Lo.
Miguel partiu assim que saímos do quarto.
Fomos invadidos pela tristeza e pelo amor. Pode parecer estranho, mas recebemos muito amor da família e amigos que nos cercaram. Claro que ouvimos todos os absurdos já descritos aqui em outros textos, mas acredito que o amor fez a diferença!
Sou muito grata a Deus por ter me permitido ser mãe desses anjinhos, apesar do pouco tempo de convivência. Sou grata principalmente por tê-los conhecido.

Obrigada a vcs por este grupo!! Me fez sentir parte do mundo de novo!!

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4 comentários em “História de Cassilia

  1. Ai, ai… Lembrar desta história me faz reviver um tempo de muita tristeza e muito amor, pois ela fez nossa família se unir ainda mais. Amo e sempre vou amar Maria e Miguel e nunca vou me esquecer o momento mágico que eles nasceram e passaram perto de nós! E nem preciso dizem o exemplo que vc foi e é pra mim de força e de vontade! Voltamos sempre a repetir vc é a pessoa mais “é melhor ser alegre que ser triste” que existe!

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  2. Profissionais capacitados, como seu GO, d fato, faz diferença.
    Sinta- se abraçada. Chegamos tão perto. Triste e gratificante ao mesmo tempo.
    Deus é maravilhoso em nos proporcionar a alegria de ser mães desses anjos.
    Um bjo.

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