Entrevista com a psicóloga Erica Quintans – Equipe Do Luto à Luta

– Acredita que estamos fazendo um trabalho de educação para a morte? De que forma?

​Sim. Sempre que falamos sobre a morte e o luto estamos quebrando um tabu e mostrando para as pessoas que é possível viver e falar sobre isso. Isto é reforçado ​quando mostramos que existem outras formas de agir, outras maneiras de se comportar, educando, de fato, para a morte.


– Qual o seu interesse e motivação no nosso projeto?

​Desde a faculdade me interessei pelo tema da morte, perda e luto. Trabalhei com câncer infantojuvenil e hoje atendo pacientes que vivenciam estas experiencias em consultório particular, também estou fazendo meu mestrado neste tema. Além disso, acredito que este espaço, onde podemos ouvir, acolher e dar voz a estas mães e pais é de fundamental importância, não só para eles que podem se expressar, como para a sociedade, que pode aprender, se solidarizar e mudar.


– De que forma acredita que está beneficiando e sendo beneficiada pelo projeto?

​O ganho pessoal é enorme. Aprendemos, ouvimos, falamos… conheço histórias de amor incríveis e isso faz de mim um ser humano mais atento e empático.
Acho que trago ao projeto um olhar diferenciado para as perdas, afinal, a Psicologia tem também esta função. Acredito estar contribuindo não só com o embasamento teórico, mas também com a escuta, o acolhimento e o cuidado.


De que forma acredita que a nossa parceria pode contribuir para um maior cuidado com a perda gestacional?

​Pode mudar a forma como as pessoas e organizações encaram o assunto. É aos poucos que vamos quebrando os tabus e fazendo mudanças efetivas, tanto no nível pessoal (acolhimento, possibilidade de expressão e elaboração) quanto nas políticas (serviço público, privado e leis). Para isso precisamos quebrar o silêncio, expor as histórias e mobilizar as pessoas.


– Caso não tenha vivenciado a perda gestacional, poderia compartilhar conosco algum caso emblemático deste tipo de perda (tanto na vida pessoal como na vida profissional)?

Apesar de ser muito comum, não vivenciei casos de perda gestacional na minha vida pessoal ou com minha família. Tenho registrado estas histórias de amor através do grupo e dos relatos que recebemos.


– De que form avalia que essa experiencia repercutiu na sua prática?

Percebo que houve uma mudança na minha vida, tenho hoje muito mais atenção ao tema, percebo que os filhos são para sempre, independente do tempo que estiveram com ele. A gente vai percebendo que o tempo não é cronológico, que existem fantasias, desejos e planos envolvidos neste luto. Vemos que esta dor é silenciada, abafada, e, ao mesmo tempo, muito sentida. É bonito ver a potência criativa e a busca de sentido que as famílias trazem com as suas perdas. A digital do amor é visível em cada uma destas histórias.


– O que diria aos pais e familiares que acabaram de vivenciar a perda gestacional?

​Estou aqui com você. Você quer me falar sobre o que aconteceu?​
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