Entrevista com a produtora de projetos sociais e artísticos Dayana Lima – Equipe Do Luto à Luta

– Você acredita que estamos fazendo um trabalho de educação para a morte? De que forma?
R: Sim, falando sobre a perda como uma possibilidade de transformar a vida e descobrir novos caminhos e novas missões, para também colaborar com a transformação de um mundo melhor, com mais amor, respeito e empatia ao próximo.
– Qual o seu interesse e motivação no projeto Do Luto à Luta?
R: A minha motivação é poder exercer as minhas habilidades como produtora e também exercer as habilidades da minha personalidade de forma positiva para o projeto.
O meu interesse é levar o projeto para locais onde as pessoas são mais desprovidas de acolhimento e informação por conta da sua condição social. É importante e necessário viabilizar empoderamento e uma rede de apoio nesses locais, pois acredito que as ações do despertar para isso ajudará essas mulheres e famílias e enxergarem suas reais condições e potenciais para transformação da realidade ao seu redor. Eu tive a oportunidade de ter esta experiência e vivência quando dei aula de consciência corporal no Museu da Maré, para adulto e terceira idade, discutindo a identidade local e do  corpo como primeira morada. Foi uma experiência incrível e pude perceber o quanto é natural do ser humano passar com afinco e satisfação o aprendizado do que o faz bem a diante.

– De que forma acredita que está beneficiando e sendo beneficiada pelo projeto?
R: Antes mesmo de poder beneficiar alguém, senti-me agraciada por ser beneficiada pela rede de apoio e perseverança do grupo. Foi através disso que pude transformar o meu luto e meu sofrimento em algo que eu pudesse ajudar a evitar e cuidar das dores de outras pessoas. O empoderamento nos possibilita inclusive, tendo mais experiências, ouvindo relatos e ganhando mais informações, a possibilidade de fazer mais para evitar novas perdas. É importante ofertar informações sobre saúde e quando não possível, ao menos acolher as pessoas ao meu redor que passaram pela mesma situação. Maior felicidade foi o convite de ser parte da equipe e multiplicar isso a pessoas de tantos lugares que nem posso imaginar. Acredito que, instintivamente, batalhei por este convite e sou muita grata por isso!
– De que forma acredita que a nossa parceria pode contribuir para um maior cuidado com a perda gestacional?
R: Compartilhando minha experiência e a experiência do grupo com o objetivo de quebrar o silêncio sobre este tema, sensibilizando a sociedade com as nossas ações psicoeducativas, ajudando na compreensão, estímulo ao respeito e empatia a quem precisa neste momento. Aproveitado as oportunidades e aberturas que tenho para conversar com outras pessoas sobre o tema, sensibilizando-as a compreender também o tamanho da dor e as expectativas que aos pais tem sobre uma gestação, que não é só após a fecundação, é muito antes disso. Tento sempre propor algo que possam ler sobre o assunto. Eu costumo disponibilizar a Cartilha Colaborativa e, de antemão, algum texto mais recente que eu tenha lido como uma maneira de introduzir o assunto e o interesse da pessoa pelo tema, caso ela demonstre. Busco também sensibilizar antes as pessoas que me procuram para falar do caso de alguém próximo, para que estas pessoas leiam antes algum material e saibam falar, indicar e propor a ajuda do grupo, de algum profissional especializado ou mesmo o meu apoio em particular, quando se sentirem à vontade para tal atitude.
– De que forma você avalia que essa experiência repercutiu na sua prática?
R: Tenho hoje um olhar diferente para as necessidades da vida e as formas de me relacionar com as pessoas e minha família. Acredito que a experiência da perda me deu uma possibilidade, especialmente, de uma autoanalise sobre os meus limites, criando mais autoestima e limitações que posso trabalhar e me preparar melhor para as intempéries da vida. A experiência de estar no grupo me trouxe força para não me abater e dar valor ao que sinto, lutar por uma causa e ser empático e solidário às pessoas que passam pelo que passamos.
– O que diria aos pais e familiares que acabaram de vivenciar a perda gestacional?
R: Eu diria aos pais, especialmente, que podem contar com meu abraço e de toda equipe do Do Luto à Luta, nossos ouvidos e atenção estão disponíveis para dividirem este momento e desabafar o sofrimento desta situação. Ofereço todo o apoio possível para eles, pois eu desejaria estar a vontade com alguém que entendesse a minha dor, minhas tristezas e choros repentinos, dúvidas, questionamentos e força para as pequenas tarefas que se tornam tão difíceis em certos momento.Eu tenho lembrança de certos momentos em que várias imagens me lembravam um embrião e pensava na minha gestação. Eu diria que é necessário sim dar valor aos sentimentos que nos tomam pela experiência da perda porque é necessário deixar sair, fluir para curar ou ao menos amenizar e tirar o peso da solidão que se alastra pelos cantos do corpo. Compreendo que este momento é necessário para recriar forças para voltar à vida, ao cotidiano e ter a oportunidade de reaprender a viver e entender as coisas de uma forma mais amorosa e resiliente. É uma experiência arrebatadora, mas tendo o apoio e respeito necessário, é uma linda oportunidade de renascimento. Eu torço para que os familiares ao nosso redor entendam e apoiem este momento de forma mais empática e carinhosa, pois todos só tem a crescer e se transformarem também com esta experiência.
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