Entrevista com a psicóloga Juliana Gregório – Equipe Do Luto à Luta

– Você acredita que estamos fazendo um trabalho de educação para a morte? De que forma?

Com certeza. Acredito que apesar de termos um trabalho de luto específico pra perda gestacional e neonatal, a forma com que dirigimos esse trabalho também está relacionada ao luto em geral, pois o trabalho com a elaboração do luto em si é uma só…

As palavras que usamos, tudo pode ser adequado ao luto na sua forma geral.

– Qual o seu interesse e motivação no nosso projeto?
Desejo que esse projeto possa crescer muito ainda e que realmente possa sensibilizar mais as pessoas na forma com a qual vão usar pra se dirigir a outras que passam por este momento, o luto precisa ser falado, expressado e sentido, afinal faz parte da nossa existência.
– De que forma acredita que está beneficiando e sendo beneficiada pelo projeto?
Acredito que como psicóloga estou sendo beneficiada com a oportunidade de estar trabalhando dentro da minha área, e benefício as pessoas com o que aprendi, com a minha escuta e acolhimento.
Como ser humano, acredito estar sendo beneficiada na elaboração dos lutos que já passei e beneficiando com a minha sensibilidade.
De que forma acredita que a nossa parceria pode contribuir para um maior cuidado com a perda gestacional?
Acredito que dando voz a perda gestacional e neonatal, podemos levar informações as pessoas que ainda tem pouco conhecimento sobre o assunto, pois a perda gestacional e neonatal é a única perda que pra algumas pessoas pode ser substituída por uma nova gestação.
– Caso não tenha vivenciado a perda gestacional, poderia compartilhar conosco algum caso emblemático deste tipo de perda (tanto na vida pessoal como na vida profissional)?
Realmente perda gestacional eu não tive.
Na vida profissional eu já ouvi os casos que são apresentados no grupo de apoio.
E na vida pessoal, já tive duas pessoas amigas que passaram por esta situação e na família, uma prima que passou pela perda gestacional com aproximadamente 2 meses de gestação e minha madrinha no final da gestação.
– O que diria aos pais e familiares que acabaram de vivenciar a perda gestacional ou neonatal?
A primeira palavra que eu diria é força, porque passar por uma perda não é nada fácil, ainda mais no caso de uma gravidez em que todos esperam pela vida, e são surpreendidos com a morte, como ouvi no documentário “O Segundo Sol” da Rafaella e do Fabrício, é a vivência de vida e morte em um curto espaço de tempo e em um momento que esperamos apenas pela vida. Não que estejamos esperando pela morte no caso de outros lutos, mas na gestação é uma vida que está sendo gerada e esperada para nascer e não para morrer, existe toda uma expectativa por trás. É muito contraditório.
Diria também que os filhos deles são frutos de um amor, e que esse amor jamais será desvinculado, que hoje existe um anjo olhando por eles e com sentimento de gratidão pelos pais que ele teve tão guerreiros. Mas a palavra mesmo é Força!
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s