Meu sonho, meu bebe

Foi no segundo casamento que encontrei o amor da minha vida e depois de 2 anos resolvemos ter o nosso bebê. Eu já tinha um filho do meu primeiro e só faltava esse serzinho para a vida ficar mais bela.

Mas não foi assim. Os meses foram passando e nada!O mundo inteiro engravidava e nada!

Resultado: Fiquei deprimida e minha vida virou o caos.

Para dar continuidade a vida, eu, com o apoio do meu marido. Resolvi fazer uma segunda faculdade e escolhi Educação Física.

Foi muito bom, pois depois de quase duas décadas eu estava numa sala de aula, com gente com metade da minha idade, correndo para lá e para cá com trabalhos, projetos e até premiação em concurso de dança da faculdade (Eu fui bailarina a vida toda e parei pela tristeza de não engravidar).

Meu marido também tocou em frente e depois de anos, teve coragem de fazer a cirurgia bariátrica (Ele estava em situação de risco)

E nessa correria de provas, preparo para cirurgia, para minha surpresa eu engravidei!

Fiquei tão feliz! Depois de três anos longos e doloridos eu finalmente tinha conseguido. Estava de 5 semanas.Finalmente meu milagre tinha chegado. Finalmente tinha voltado a ser mulher!

Só contei para os meus pais, irmãos, sogros e cunhado e alguns amigos da faculdade. Inclusive, a minha melhor amiga da faculdade estava gravida de 5 ou 6 meses quando descobri. Não quis compartilhar com o resto do mundo.

Era fim de ano e foi o melhor natal e ano novo da minha vida, Seria o primeiro filho do meu marido, o primeiro neto dos meus sogros e o primeiro sobrinho do meu cunhado.

Os dias foram passando. Eu me sentia super bem quase não sentia enjoos, estava sempre disposta. Era como a vida tivesse se renovado, como se eu tivesse outra chance..

Passado as festas, tive a primeira consulta aonde foi examinado o colo do útero que estava fechado e foi pedido os exames de sangue e o ultrassom da decima semana.

Fiz os exames de sangue e contava os minutos ansiosamente para fazer o ultrassom.

Nesse meio tempo escolhemos o nome: Se fosse menino Arthur, se fosse menina Ana Cecília. Minha sogra fez roupinha e tudo estava lindo, feliz e perfeito,

Quando chegou o dia do ultrassom eu já estava de 11 semanas, ninha barriga já aparecia e fomos eu, o meu filho de 11 anos e o meu maridos, radiantes, para o ultrassom.

Quando deitei na cama e o médico colocou o aparelho na minha barriga, percebi que algo estava errado e foi quando ele falou que não escutava o coraçãozinho do bebê. Aquela noticia foi como se o Everest caísse na minha cabeça. Tive vontade de virar fumaça e sumir. Mas não podia. Precisava ser forte na frente do meu filho, Sai da sala com encaminhamento direto para o hospital.

Meu marido ficou tão nervoso que errou o caminho várias vezes. Liguei para a minha irmã para buscar o meu filho. Não queria que ele se expusesse ainda mais naquela situação.

Não imaginei que seria ainda mais doloroso. Não sabia que iria ficar na ala da maternidade.

Lembro de ter falado com a ginecologista que falou que eu poderia ir para casa e esperar um aborto espontâneo ou fazer a curetagem.

Decidi fazer a curetagem.

Tive sorte por ficar num quarto privativo, mas mesmo assim não fui poupada dos gritos das

outras mães parindo, dos bebês chorando.

Passei a noite chorando, perguntando, porque aquilo estava acontecendo comigo, Queria entender porque eu não gritaria no parto, porque o meu bebê não choraria.

O meu marido me apoiou e chorou comigo o tempo todo.

No outro dia fui fazer a curetagem e a pior crueldade foi me levarem para uma sala com a escrita sala de parto”, bem grande. Toda decorada, com bercinho e tudo mais. eu olhava aquele berço e chorava pelo meu filho que nunca deitaria ali.

Depois do procedimento, me levaram para o quarto e eu continuava a ouvir os gritos, os choros e as risadas das pessoas pela alegria da chegada de uma nova vida.

Tudo era vida naquele lugar, menos eu, que destoava de tudo.

Passado o tempo pedi para a enfermeira chamar o médico, porque ele havia prometido que ia me dar alta o mais rápido possível, porque entendia que aquele não era um bom lugar para ficar e sabe o que ela me respondeu?

Eu não posso te dar atenção agora, porque a minha prioridad é cuidar das mãezinhas que acabaram de ter bebes.

Eu morri de novo, pois eu não era nada. Eu era a mulher que não conseguir segurar o meu bebê. Eu não tinha dor.

Eu olhei para ela e disse: Ao menos elas tem um bebê para segurar e eu?

Depois disso tive alta e fui para casa. Tive sorte por ter o ombro da minha, mãe, do meu pai e dos meus irmãos. Já o meu marido, não teve essa mesma sorte.

Fora a dor que eu sentia, a minha amiga gravida da faculdade se afastou de mim, Até hoje eu não sei. Talvez , ficou com medo de ser contagiante e me bloqueou da sua vida.

E outros amigos também se foram, porque acham que é bobagem chorar por um bebê que nem nasceu.

Fiquei alguns dias prostrada, mas decidi que precisava viver pelo meu filho, meu marido e por mim mesma.

Mudamos de cidade, rompemos relações de amizades que não nos faziam bem. Fiz questão de morar numa casa com jardim e fiz um funeral simbólico e enterrei tudo que era do bebê e plantei muitas flores por cima. Ainda choro por ele, As vezes a saudade é tão grande que parece que vou explodir.

Mas eu, meu filho e o meu marido prometemos viver tudo que esse bebe não vai viver. Rimos, viajamos, fazemos planos, sem nunca esquecer que esse bebe teve uma duração tão curta na nossa vida, mas o amor que sentimos e que ainda temos será eterno.

Depoimento enviado pela mãe Adriana Zamarim 

 
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