“Por que não posso falar da minha perda gestacional?

Não só posso, como devo!
Se não existisse essa proibição implícita imposta pela sociedade, eu não teria me sentido tão sozinha no mundo quando sofri minha primeira perda.
O pensamento mais recorrente que tive foi: Por que comigo? Por que só eu tive que passar por isso?
E encontrei as respostas nos grupos de apoio das redes sociais.
Não foi só comigo. O problema é que a maioria das mulheres não fala sobre o assunto com seus próprios amigos e familiares.
O comum é não contar sobre a gravidez até, pelo menos, o 3º mês de gestação, porque, se a perda ocorrer, ninguém fica sabendo de nada.
Mas por quê? Isso não quer dizer que não fui mãe. Isso não impede o sofrimento e o vazio enorme que fica.
Eu tive duas perdas, e isso faz parte de quem eu sou. Eu sou uma mulher sonhadora que aos 12 anos já escrevia em meus diários sobre a minha vontade de ser mãe.
Eu sou uma mulher que, aos 32 anos de idade, já foi mãe por duas vezes, criando expectativas e sonhando com a vida junto aos meus filhos e isso foi brutal e traumaticamente tirado de mim.
E não tenho vergonha nem receio de falar abertamente sobre isso, porque, para mim, é isso que falta: poder falar, poder sentir, sem ser julgada de me “expor sem necessidade”.
Para mim, isso é sim uma necessidade. E sei que compartilhar minha experiência pode ajudar quem já passou, ou ainda vai passar por isso a não se sentir sozinha e desamparada.
Minha primeira perda foi o pior momento da minha vida. Eu estava desesperada. Não sabia como tudo iria acontecer, como seria o procedimento de curetagem (retirada do feto) e a recuperação. Foi tudo muito errado. Fiz pelo plano se saúde e fui tratada como lixo.
Novamente achei que só comigo havia acontecido tudo daquele jeito horrível, mas para minha surpresa (desagradável) o que passei é o comum.
Passamos pela curetagem e somos deixadas em recuperação na mesma sala em que estão as mamães que acabaram de ter seus bebês (????) e esperam pela 1ª amamentação.
Isso é um absurdo, uma falta de sensibilidade. Isso está errado, e para mudar precisa ser falado, discutido, exigido.
Graças à minha família e à do meu marido, na segunda vez pudemos ter um tratamento humanizado, mas pagamos caro, e nem todas as mulheres que passam por isso têm essa opção.
Eu espero que um dia as coisas mudem, e estou fazendo minha parte.
Espero, de coração, poder acalentar outras mamães que passaram, estão passando ou passarão por esse trauma.
Se nos faz sentir melhor, vamos falar sim sobre o assunto. Quem não souber lidar, abstenha-se.
Mas uma palavra amiga e reconfortante, para mim, é muito importante e bem-vinda!!!”
Depoimento enviado pela mãe Jaqueline Lima
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3 comentários em ““Por que não posso falar da minha perda gestacional?

  1. Entendo sua dor… Perdi meu bebe com 8 semanas, quero dizer, ele morreu na setima, so soube na oitava semana… Tenho tentando ter filhos ha 11 anos… Me doi muito quando eu penso nisso. Moro fora do Brasil e fui instruida a fazer a curetagem. Fui para a sala de parto, mas sozinha, nao tive nenhum contato com outras maes ou bebes. Mas fiquei perambulando pelo corredor, perto das mulheres gravidas. Meio periodo internada, mas me trataram bem. Mas ouvi falar do tratamento desumano que acontece no Brasil! Entendo sua dor sim, e as pessoas serem insensiveis piora muito! Mas apoie-se em sua familia, no meu caso nem minha mae nem meus sogros chegaram a saber o que me aconteceu… pretendo contar um dia, pessoalmente! No meu servico, as pessoas que ficaram sabendo tentaram me confortar, e confesso que fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que passaram por isso e vieram conversar comigo! Realmente e algo que nao saem falando por ai! Se cuida! Tudo de bom!

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  2. Parabéns querida, estás ajudando inúmeras mulheres, és forte e corajosa e com certeza terás uma bela história de vida e de força, para contar a teus futuros filhos, netos e para quem precisar de um exemplo a seguir. Te admiro cada vez mais e gostaria muito de fazer parte dessa caminhada. Um carinhoso e demorado abraço. Quero saber de ti sempre, pois minha amizade por ti é eterna!!

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  3. Tive um aborto uns dias antes do aniversário de meu marido seria nosso segundo filho perdi com 10 semanas mas ele nen chegou a desenvolver acho que ñ passou de duas semanas era muito pequeno pra 10 semana tive um aborto retido abortei em casa no banheiro na compania do meu marido que acompanhou tudo e enterou nosso bebezinho no quintal de casa, foi pro hospital fiz a curetagem tive hemorragias fiquei enternada 4 dias, agora 29 de abril de 2016 ele ja estaria nascendo casa semana o coração doi mas meu filho foi o que mas sofreu pq esperava u irmãozinho e ñ tera mas o mas triste é ir nas consulta e os medicos me entupirem de medotos anticoncecional ñ querem que eu tenho filho mas nem se quer perguntaram se eu queria denovo , meu marido ñ quer mas diz que tem medo eu tava com bastante esperança até levar um choque de relidade que me fez adiar uma nova gestação eu estou com obsidade tenho 145 kls meu medico disse que é pedir pra morrer frio mas realista chatiada mas consciente pois tenho um filho e um marido que amo muito e tbm ñ quero que eles sobram com a minha perda pos gravidez de risco no meu caso quem sabe um dia tudo se ajeita.

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