O sol voltará a brilhar

Oi! Meu nome é Gislaine, tenho 38 anos, um filho de 6 anos e decidimos engravidar do segundo em 2015. Resultado positivo em agosto, misto de alegria e apreensão, pois nosso garoto já estava independente e começaríamos tudo novamente. As semanas foram passando, tudo corria perfeitamente bem. Muito empolgados, já estava tudo pronto com 6 meses de gravidez. Fizemos um lindo chá de boas vindas, no dia 07/12/2015 e no dia 09/12 (dia do meu aniversário), um abismo se abriu. Com 26 semanas, no US morfológico, descobrimos uma Hérnia diagramática a direita e uma má formação no coração. Em choque saímos em busca de ajuda, porem devido à gravidade da hérnia, os pulmões do nosso bebe não estavam se desenvolvendo, o que tornaria sua vida inviável após o nascimento. No dia seguinte em nova consulta e mais uma bateria de exames, suspeita de uma síndrome, Edwards. Nunca ouvimos falar desta síndrome e da hérnia. O medico foi bem claro quanto às possibilidades e nosso mundo parou. Desde aquele dia, começamos a viver um luto. Eu carregava a vida e a morte. Uma tortura sem fim, algo desumano de sentir. O excesso de liquido amniótico causado pela síndrome me impossibilitou de manter as atividades diárias. Meu filho não podia contar comigo para quase nada. Férias, natal e ano novo se aproximando. Época muito sensível, mas sobrevivemos. Em 28 de janeiro, entrei em trabalho de parto, com 33 semanas. Fui encaminhada para uma cessaria. Foi um parto difícil. Ele chegou, silencio total, sem choro. Por 1hr ele sobreviveu e nosso sonho com ele se foi. Muita dor, falta e vazio. Já no quarto, o processo de recuperação é muito triste. Toda enfaixada e medicada para não produzir leite. Sedada para dormir. 24hr de internação e fomos liberados e iniciou mais uma etapa, viver o luto e ir à luta. Só temos a agradecer aos nossos médicos, Dra. Amélia e Daniel, a equipe do Hospital Santa Catarina, que nos trataram, com um respeito incrível. Ficamos em um apartamento sozinhos, isolados das demais gestantes e tudo que podia ser feito, eles cumpriram de forma excepcional. Apesar de tudo, não me sinto derrotada, sinto que o tempo é o melhor remédio. Com o apoio da família e principalmente do meu esposo e filho, o sol voltará a brilhar.

Depoimento enviado pela mãe Gislaine Noldin

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10 comentários em “O sol voltará a brilhar

  1. Gislaine, me identifiquei muito com seu relato.

    Tb perdi uma filha p essa síndrome. Ela nasceu em 11/9/15, com 35 semanas, mas só soubemos dos problemas após o nascimento. Ela tinha uma grave mal formação cardíaca q piorou após o nascimento… Ela viveu por 4 meses, todos na uti …

    Tb tenho outro filho e, em breve, engravidarei novamente …

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    1. Oi! Após um ano é que tive coragem de ler novamente meu depoimento. Fiquei feliz com as palavras de carinho e conforto que todos demonstraram mesmo sem nos conhecer. A vida voltou a sua normalidade, mas as lembranças vez por outra nos levam aqueles dias difíceis.

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  2. Mensagem linda ! Vc é uma pessoa de muita força ! Mas o amor entre vc , teu marido e teu filho foi importante. É um momento difícil para os pais e superar isso
    Só Deus e o tempo !
    Isso toca muito nossos sentimentos e nos ajuda a crescer profissionalmente e espiritualmente . Bjs

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  3. Sinto muito pela perda, compartilho da mesma dor, no dia 08/03/2016 perdi minha primeira filha Aurora, as 38,3 semanas de gestação, fui submetida a uma cesária e infelizmente não pude me despedir da minha filha, não tive esse direito, eles levaram o corpinho dela, foi muito triste. O meu marido fez o enterro com minha família e tirou algumas fotos para mim, choro muito quando veja o quanto ela era parecida comigo. Ainda não acredito pois eu e ela tínhamos ótima saúde, nenhum problema ou alteração durante o pré-natal, até o momento os médicos não sabem a causa. Muito triste ter que voltar pra casa sem sua filha nos braços, tudo aqui em casa me faz lembrar dela, todos estavam ansiosos pela sua chegada, o quartinho, o enxoval, estava tudo pronto. É uma dor imensa, espero que Deus possa confortar nossos corações e nos dar forças para continuar a viver.

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  4. Olá meu nome é Elizangela em 2012 descobrir que estava grávida de uma princesa eu e meu esposo ficamos muito feliz gestação tudo bem quando cheguei aos nove meses fui para maternidade muito feliz na hora do meu parto minha pressão subiu demais depois zero quando foram fazer minha cesariana tiver uma ruptura uterina meu ultero estorou minha princesa estava flutuando dentrode mim faltou oxigênio no cérebro dela veio falecer quase fui a óbito também mais Deus sabe de todas as coisas

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  5. Apesar do momento difícil, receber atendimento digno é muito importante. Com certeza o tempo será o melhor remédio, e o sol voltará a brilhar. Você não está sozinha, nunca estamos. Força pra você e sua família. Forte abraço.

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  6. Eu sou pai de um prematuro de 23 semanas que ficou comigo e com minha esposa por 4 dias , meu príncipe Juan se foi deixando um vazio enorme no meu coração , que o mesmo Deus que está me confortando te conforte também pois sei que é uma dor enorme que nem consigo dimensionar hoje 18/03/16 faz exatamente um mês que meu anjo se foi , com certeza está melhor que eu e que você ao lado do Pai , forças pra você e pro seu marido enfim forças a todos familiares .

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  7. Gislaine, sinto muito. Perdi minha Estela em novembro passado, também com Edwards. Seu coração frágil parou ainda no meu útero, com 32 semanas. Entendo perfeitamente a sua sensação de carregar a vida e a morte. Hoje fazem quatro meses da cesárea. As coisas melhoram com o tempo, mas em alguns dias ainda dói muito. Abraço.

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  8. Também perdi minha linda florzinha Louise com a mesma síndrome,39 semanas de gestação,ficou conosco por 16 maravilhosos dias nasceu em 11/06/14.Quando fiquei sabendo que estava grávida que alegria mas com 12 semanas a notícia que partiu meu chão.Hj já se passaram 1ano e 9 meses mas a saudade ainda dói muito um dia espero entender a razão pela qual temos q passar por tanta dor!

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  9. Oi! Após um ano é que tive coragem de ler novamente meu depoimento. Fiquei feliz com as palavras de carinho e conforto que todos demonstraram mesmo sem nos conhecer. A vida voltou a sua normalidade, mas as lembranças vez por outra nos levam aqueles dias difíceis.

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