Da dor ao amor

Há dez anos eu passei por uma experiência bastante traumática. Fui violentada física e emocionalmente, foi o dia do meu primeiro parto. No dia 18 de outubro de 2005 me senti mal, minha bolsa estourou e me encaminhei ao hospital. Infelizmente assim que cheguei já não foi mais detectado batimentos cardíacos no bebê, isso significou que muitos sonhos escorreram por minha perna abaixo, minha pequena Elis havia nos deixado tão prematuramente, ainda no quinto mês de gestação.

Passamos aquela noite no hospital recebendo medicação pelo soro para induzir o parto, no entanto nada aconteceu e assim que o dia nasceu trocamos para uma medicação mais forte, que logo surtiu efeito e as contrações começaram. Como essa medicação mais forte não foi iniciativa do meu obstetra e sim do hospital, este não estava presente quando as contrações iniciaram. Ligamos para ele que imediatamente foi para lá. Definitivamente aquela equipe médica não estava preparada para minha situação: as enfermeiras me tratavam com desprezo e a plantonista da maternidade nem deu as caras.

Tudo aconteceu muito rápido, as dores eram fortes e os intervalos pequenos, chamávamos pelas enfermeiras e elas falavam que era assim mesmo, queríamos falar com algum médico,

mas ninguém aparecia. Infelizmente tivemos que ouvir que eu estava de frescura e que nada poderia ser feito, pois o bebê já estava morto mesmo.

Eu e meu marido, sozinhos, sofrendo num quarto de hospital gelado, quando eu gritei: Flávio, vai nascer. Ele me virou, tirou minha calcinha e segurou em seus braços nossa filha. Com os braços cheio de sangue, ele gritava enlouquecidamente pelos corredores do hospital, num misto de raiva e esperança para que a Elis começasse a chorar. Meu médico chegou neste momento tumultuado, estarrecido com o que via ali. Deu várias ordens, cortou o cordão umbilical, chamou o anestesista, me levou ao centro cirúrgico para a curetagem e então, a plantonista apareceu a tempo de levar uma boa bronca.

Durante muito tempo, eu pensava nisso todos os dias, atualmente não mais. Lembrei hoje porque poderia ter uma filha completando 10 anos e achei que escrever diminuiria minha saudade. Meu marido, na época ficou muito abalado emocionalmente, não foi nada fácil passar pelo que passamos. Naquele momento, nós que tínhamos apenas 26 dias de casados, ficamos mais ligados que nunca, nossa relação que já era forte, ficou ainda mais sólida. Foi apenas a 1ª dor de nossa estrada, depois disso, ainda teríamos mais duas, e felizmente uma benção maior que qualquer dor, Clarice. Hoje eu acredito que ela é um milagre em nossas vidas e como o nome dela diz, ela veio ao mundo para clarear, iluminar e encher nossa família inteira de luz.

Depoimento enviado pela mãe Fabiana Ramos

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